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O Orfeão de Águeda, conta com mais de 90 anos de história ao serviço da cultura. Apesar de ter nascido sob o signo da guerra, foi designado pelo seu fundador “Armando Castela” como um espaço de paz e fraternidade.
Em 1916, Portugal acaba de entrar na 1ª Grande Guerra Mundial e logo em reunião na Câmara Municipal foi constituída a Comissão Patriótica das Senhoras de Águeda, liderada pela “Condessa-Mãe” da Borralha, com o fim de minorar a situação das famílias dos soldados mobilizados e do Corpo Expedicionário Português. Mesmo em época de extrema penúria, todos participam. A guerra estava presente no quotidiano de Águeda. A Comissão solicitou a Armando Castela a preparação de uns coros para uma récita de angariação de fundos. E assim, nasce o Orfeão de Águeda sob o signo da guerra.
Em Outubro já a nova agremiação faz o seu ensaio geral, mas é só a 6 de Janeiro de 1917 que o Orfeão se apresentou pela primeira vez ao público de Águeda e ao serviço da cruzada de paz e fraternidade. No salão do Teatro Fernando Caldeira, os 54 rapazes do Orfeão - inicialmente masculino - esmeraram-se num espectáculo que "causou no público uma grande e agradável surpresa, manifestada em fortes aplausos". Além de uma comédia e números musicais em que intervieram os amadores; Maria Ester Camelo, Magda Castela, Branca Rocha, Júlia Carneiro, Ilda Costa, António Serrano, Arsénio Castilho, José Guerra, Serafim Pereira e António Costa, o Orfeão interpretou As Canções Transmontanas de Pinto Ribeiro, Hino à noite de Beethoven, Coral de Bach, Coro dos Caçadores de Weber e As Camponesas de Fernando Caldeira.
Com o êxito obtido que se repete no dia seguinte, o Orfeão consolida-se. Armando Castela, esse elevado espírito de homem, cidadão e artista, desejava que a agremiação fosse uma escola para a sociedade aguedense, balizada na tolerância e na fraternidade, lutando contra a violência, a miséria, o analfabetismo, destruindo rotinas e comodismos e despertando as consciências. Os coralistas vinham do mundo do trabalho , a que se juntaram jovens estudantes e professores - os mesmos que haviam de estar em todas, que nessa década e na seguinte animaram a vida social, desportiva e artística de Águeda. Mais tarde, Armando Castela salientaria com alguma vaidade, que, sendo ele um homem de Partido, e bem conhecido nas suas posições públicas, no Orfeão coexistiam sensibilidades de todos os quadrantes políticos, dos mais retrógrados aos mais extremistas e "nunca a fraternidade e a união seriam, por isso, molestadas". Uma escola de civismo, pois, a Associação a que Armando Castela deu vida e Espírito!
Seguiram-se os colapsos normais, porque a situação económica dos anos vinte foi dura para um país desestabilizado por frequentes querelas políticas. Em 13 de Abril de 1930, como que renascendo das cinzas, num período de grande fervor bairrista, o novo Orfeão reaparece com um programa cada vez mais exigente. A juntar aos êxitos de 1917, Armando Castela escolhe um reportório com obras clássicas, o Amen de Berlioz, o Coro dos Barqueiros do Volga, à mistura com temas tradicionais, a Rapsódia de Cantos Populares de António Joyce, o Linho Fresco de Tomás Borba e o Toca-Toca, com música de Pinto Ribeiro e versos de Adolfo Portela.
E assim continuaria pelos anos fora, com altos e baixos, na sua cruzada de civismo e beneficência, multiplicando espectáculos, preocupando-se com o bem estar dos seus associados - numa palavra: fazendo vivas as aspirações do seu mentor. E ao Orfeão de Águeda se ficará a dever, e não é mérito de menos relevância, a animação cultural em décadas contínuas, trazendo à tona todo o património ao levar à cena peças de autores aguedenses: A Noiva de João de Adolfo Portela, em 1945, Frei António de Águeda, em 1921 e Do Barril à Venda Nova, em 1934, ambas de Serafim Soares da Graça, O Marquês do Botaréu de Ângelo Meneses em 1925, e entre outras, as Águas do Botaréu, em 1946.
Actualmente, a actividade do Orfeão de Águeda movimenta-se através do seu Coral Mistol e do Grupo de Teatro. Tem-se destacado em diversas realizações e participações culturais.
Participou em duas missas dominicais transmitidas pela RTP, uma delas em directo para a República Popular de Angola.
- Em 1991 foi agraciado com a Medalha de Mérito Municipal, e foi-lhe conferido o Estatuto de Utilidade Pública.
- Em 1996, a convite da editora Public-Art participou na gravação "Os Melhores Coros Amadores da Região Centro"
- Em 1997 organizou o III Encontro de Coros da Bairrada.
- Em 1998, participou na gravação do CD "Um amor de 20 Anos", editado pela Cerciag.
- Já em 1999 fez a homenagem ao Sr. Henrique Ramos (pelos seus 80 anos a cantar no Orfeão)
- Em 2002, foi-lhe atribuído o “Judeu de Ouro” pela ANATA
Com o objectivo principal virado para a inovação e cooperação, tem vindo a promover e participar em espectáculos originais, com Bandas de Música, outros Coros e artistas individuais. A destacar a presença do Orfeão na Casa da Música no Porto, e as comemorações dos 90 anos do Orfeão de Águeda em 2006, caracterizadas pela realização do espectáculo “Sons do Adro” uma produção conjunta com base nos temas populares mais emblemáticos da região e que envolveu todas as colectividades com sede na casa do Adro. Tem participado em várias edições do evento “Toques do Caramulo” numa produção conjunta com a D’Orfeu. Em Novembro de 2008 participou na “Cantata Profana - Alma”, uma homenagem a Manuel Alegre, promovida pela Banda Marcial de Fermentelos, com o apoio da Câmara Municipal de Águeda.
- Em 2008, temos ainda a realçar a participação do Coro Misto do Orfeão de Águeda no concurso “The 18th International Festival of Advent and Christmas Music”, em Praga na República Checa, onde alcançou o nível Prata entre os 74 Coros presentes.
Pelo Orfeão de Águeda, passaram maestros e coralistas figuras que a nossa memória exalta, reconhecida, como Armando Castela , Neca Carneiro, e muitos outros humildes e anónimos, que deram corpo e rosto a outras Associações Culturais que escreveram as páginas da História da nossa terra.
Desde Novembro de 2005, a direcção artística está a cargo , do Maestro Professor Paulo Zé Neto.
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